Na leitura feminista, o território urbano, que faz parte do público, durante muito tempo foi um espaço designado apenas aos homens. As mulheres ficavam limitadas ao espaço de suas casas, interagindo apenas com as pessoas do privado, limitadas para não trabalhar fora ou ter uma vida social em outros locais. Por isso, estar no espaço público foi uma das nossas principais pautas. Mas, como falar da relação entre o espaço público ou privado com mulheres negras que sempre saíram de suas casas para levar o sustento para suas famílias, algumas vezes com a mesma importância que seus companheiros, e outras tantas, como líderes solos de suas famílias? 

             Com a pandemia de Covid-19, fomos obrigadas a voltar para a casa por causa das medidas de distanciamento social, evidenciando o grande abismo que há entre diversas mulheres. Muitas estão sobrecarregadas pela sua falta de privilégios, com menor acesso aos postos de saúde, cuidando integralmente dos familiares, cozinhando e colocando algo no lugar da merenda das crianças e jovens que estão fora da escola. Isso, entre tantos outros desafios.

              A crise da pandemia, além de agravar desigualdades que já existem, também fez com que metade das brasileiras passasse a cuidar de alguém durante esse período, e 41% das mulheres com emprego afirmam estar trabalhando mais do que antes (Gênero e Número). Outras, ficaram desempregadas: a pandemia derrubou a participação de mulheres no mercado de trabalho a 45,8% no terceiro trimestre de 2020, o nível mais baixo desde 1990 (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O desemprego, limita o acesso dessas mulheres à alimentação e saúde; aumenta a desigualdade de gênero tornando-as dependentes do outro, e muitas vezes mais vulneráveis à violência doméstica. O projeto Justiceiras de Saia, que oferece um primeiro atendimento às vítimas, verificou aumento dobrado da procura por ajuda. 

             Outro fator que evidencia o abismo de privilégios, são aquelas que nunca puderam parar e estar em casa. Com trabalhos informais, obrigadas a se submeterem a chefes abusivos, ou mesmo em trabalhos regulares, mantiveram suas rotinas e encararam as ruas, transportes coletivos lotados, e a exposição ao vírus. Muitas também ficaram confusas ou sem acesso às informações sobre cuidados de higiene e do uso da máscara, por falta de campanhas e políticas públicas do governo federal. 

             Assim, a exposição ''De volta a casa?'' pontua as preocupações de mulheres racializadas durante a pandemia. Reúne 57 artistas participantes do projeto AfroGrafiteiras 2020/2021 da Rede NAMI, programa que oferece ferramentas para que mulheres negras possam expressar através da arte assuntos cruciais em suas vidas e seus pensamentos para a sociedade, em contraponto à maneira como são representadas pelos meios tradicionais. Cada trabalho foi pensado a partir das experiências dessas artistas em suas casas durante a pandemia, e suas visões sobre ancestralidade, solidão e afetividade, religiosidade, luta por direitos, identidades, territórios, antirracismo e corporeidade.

Ficha técnica: 

Realização: Rede NAMI ®

Curadoria: Priscila Rooxo

Coordenadora de projetos: Panmela Castro

Produtora Executiva: Artha Baptista

Coordenadora de Comunicação: Maybel Sulamita

Analista de Mídias: Gabriela Lirio
Apresentação: Priscila Rooxo

Roteiro: Maybel Sulamita

Animação: Igor Morais

Edição: Luiza Giacomo

Apoio: Ford Foundation e Bic Corporate Foundation

VISITAS A PÁGINA

DE VOLTA A CASA?

*Para visualizar a ficha técnica das obras passe o mouse ou clique na imagem*

1. Ancestralidade e religiosidades

2. Mulheres e suas histórias

3. Vida Livre de Violência

4. Identidades e Negritudes

5. Territórios, solidão e afetividades

6. Corporeidades

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